quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Contabilidade de gestão: essencial para o desenvolvimento dos negócios


A contabilidade nos dias atuais é vista como uma ferramenta de grande valia para os empresários que estão atentos as mudanças do mercado corporativo. Mas alguns ainda não sabem qual a real precisão de usufruírem dela como norteadora de decisões e de economia tributária.

O gestor que vivencia a contabilidade diretamente buscando entender os relatórios contábeis está preparado para discutir detalhadamente com o escritório de contabilidade as informações e os resultados. E está à frente da concorrência que ainda não despertou para as mudanças da nova contabilidade.

Atualmente os contabilistas também esperam do empresariado a busca de uma contabilidade diferenciada, criativa e totalmente envolvida em todas as áreas do negócio. O departamento contábil, o fiscal e o departamento de pessoal devem estar interligados e muito bem orientados seguindo o novo modelo de contabilidade.

Não existe mais aquela ideia de que o contabilista ou contador preenchia guias de impostos, declarações, gerava relatórios tudo mecanicamente, hoje, ele leva as informações para o empresário que discute os números e participa ativamente de todos os processos. Podemos dizer que a relação contador/empresa tornou-se uma parceria com sincronia absoluta.

Além da necessidade do empresário conhecer o negócio detalhadamente ele também deverá ter conhecimento de contabilidade até para a formação do preço de venda, pois com as novas mudanças alguns produtos passam a ter tributação diferenciada. O gestor também poderá indicar uma pessoa dentro da organização que tenha um vasto conhecimento dos processos para discutir informações com o contabilista/contador.

Cada vez mais a contabilidade torna-se imprescindível para a tomada de decisão, e para resultados úteis e confiáveis.

O crescimento do seu negócio depende da contabilidade atual de gestão, mas tenha o conhecimento das informações e inove, aproveite que a contabilidade está em uma nova fase.

Lembre-se o negócio é seu! Faça uma contabilidade de gestão!

Autora: Daniela Pacheco

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A clareza contábil

Sempre ouvimos falar dos escândalos do mundo corporativo nos EUA envolvendo empresas como a Enron, WorldCom, Merril Lynch, Xerox... cujas práticas contábeis são reprovadas em virtude de não espelharem contabilmente uma imagem real de seu balanço patrimonial trazendo prejuízos a terceiros.



No Brasil a questão contábil é abordada nos artigos 10 e s. do Código Comercial e 175 e s. da Lei n.º 6404 de 15 de novembro de 1976 em matéria de sociedade anônima e ela deve ser analisada com cuidado para que aqui também terceiros não sejam lesados.

O artigo 176 da Lei n.º 6404/76 estabelece que as demonstrações financeiras das companhias deverão exprimir "com clareza" sua situação patrimonial e as mutações ocorridas no exercício que tem duração de um ano.

Esta clareza a qual a lei se refere não é nada clara e pode nos levar a várias interpretações, pois, esta clareza deve ser formal ou real? A clareza deve refletir o patrimônio, a situação financeira e o resultado da empresa não somente sob o ponto de vista formal, mas sim real.

O patrimônio da empresa constitui para terceiros uma garantia imediata ao recebimento de seus créditos, o exame financeiro serve para analisarmos a viabilidade da empresa e os resultados demonstram sua rentabilidade.

A clareza não pode ser somente formal porque poderemos ter uma contabilidade clara formalmente e substancialmente incorreta, onde por exemplo, sejam hipervalorizadas ações de uma companhia, como ocorreu no caso da corretora americana Merril Lynch. A realidade substancial deve prevalecer sobre a clareza formal, ou seja, a substância deve prevalecer sobre a forma para que terceiros não sejam lesados.

O produtor das informações deve ser sincero na sua apresentação contábil para que o receptor as receba de uma maneira fiel e possa formar seu juízo.

Autor: Robson Zanetti

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A classe contábil e sua relação com o futuro

Depois de muito tempo longe dos bons noticiários, a Lei 11.638/2007 através da adoção do IFRS pelo Brasil, a substituição tributária implantada pelos governos estaduais, a implantação da nota fiscal eletronica, SPED contábil, fiscal e demais exigências da atualidade, transformaram a clásse contábil em uma das mais importantes do cenário nacional e internacional.

O aumento significativo da arrecadação por conta das novas medidas do governo com incentivo a determinados setores, aliado ao momento “mágico” o qual vive a Economia brasileira, tem levado os empresários a refazer as contas e a adotar métodos de redução de custo e adquirindo também, novas tecnologias visando a competitividade no mercado, tendo em vista que a globalização proporcionou concorrência direta com o mercado internacional. A Carga Tributáriaque durante anos tem sido o principal entrave para o Desenvolvimento econômico e social, ainda é um problema a ser amenizado, pois a reforma tributária tão aclamada por todos é ainda um “sonho” distante. Apesar de todas essas variáveis, somado ao crescente volume de trabalho e o custo gerado por este “turbilhão” de mudanças, nós contabilistas devemos comemorar a valorização profissional que o presente cenário demontra projeta para o futuro.

Para que essa valorização seja continua e duradoura, a classe contábil deverá contar com profissionais cada vez mais qualificados, prontos para atender inclusive a Demanda internacional de investidores. O momento é agora, é preciso estar preparado!

Autor: Mario Dobinco

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Como escolher um Escritório de Contabilidade

A gestão contábil de um negócio pode ser um pesadelo para muitos empresários, contar com bons parceiros nesta área é fundamental. Mas como escolher um escritório de contabilidade? E como saber que os profissionais estão trabalhando de maneira correta? O Blog Pensando Grande conversou com Julio Linuesa Perez, conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo, para saber como as pequenas e médias empresas devem escolher um escritório de contabilidade.


Como as pequenas empresas devem escolher um escritório de contabilidade?

É muito comum que, este processo de escolha, se inicie por indicação de outros empresários conhecidos e da própria satisfação destes junto aos profissionais que os atendem.

Cada dia mais se acentua também a pesquisa via web, ou seja, através da Internet e até mesmo pela localização do interessado, lista e verifica os sites dos diversos escritórios localizados na proximidade da empresa. Entidades de classe, Sindicatos, associações e escritórios de advocacia, de relacionamento do empresário, também são fonte de indicação dos escritórios.

É extremamente conveniente que, ao mesmo tempo das pesquisas acima, o empresário faça uma verificação junto às entidades de classe, por exemplo, SESCON (Sindicato), constatando se o escritório é filiado e se o escritório participa dos processos de qualificação existentes.

Também junto ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC consultar se, tanto o escritório como seus responsáveis, estão devidamente inscritos e regulares no exercício das suas funções profissionais. No estado de São Paulo estas verificações podem ser efetuadas viaPortal do Conselho. Outra dica é visitar pessoalmente o escritório para verificar sua estrutura funcional, seus representantes e dinâmica operacional e, ao mesmo tempo, convidar o profissional a visitar o local que a empresa vai funcionar, expondo com clareza suas necessidades e pretensões empresariais.

A questão "preço x qualidade" tem que estar mais adequada a "custo x benefício" ou seja, qualidade dos trabalhos na proporção do preço justo pelo que se propõe a fazer e se deva executar.

Quais os cuidados a serem tomados?

Além cuidados já comentados, quanto aos devidos registros profissionais, é importante e conveniente solicitar do escritório uma breve relação de clientes para contato. Desta maneira, o empresário poderá obter algumas informações mais precisas diretamente junto aos clientes do escritório.

Também solicitar certidões de regularidade (escritório e responsáveis) junto aos órgãos de Registro (Conselho Regional). Manter diálogo franco e aberto quanto à atividade a ser desenvolvida com todas as suas características e detalhamentos, a fim de obter do profissional as necessárias explicações e orientação precisa, fiscal – contábil – tributária e trabalhista, assim como custos de regularização.

Solicitar ao escritório a elaboração de "Contrato de Prestação de Serviços Profissionais", contendo com clareza: os serviços que estarão sendo contratados; valor de honorários profissionais; direitos e obrigações das partes envolvidas, atentar para cláusula rescisória e, mais uma vez, a sistemática operacional independentemente da opção tributária que se venha a adotar, lembrando sempre que, a execução de contabilidade propriamente dito não é opcional, além de obrigatória e necessária para a gestão do negócio e seu desenvolvimento.

Como saber se a empresa de contabilidade está trabalhando corretamente?

Naturalmente, todo empresário, independentemente do porte da sua empresa, tem necessidade de obter os conhecimentos básicos dos tributos e encargos que incidem na sua atividade e, desta maneira, deverá acompanhar periodicamente o recolhimento dos mesmos, sempre por sua conta e ordem, não deliberando ao escritório esta obrigação pois, não é da competência do mesmo.

Além disto, com alguma periodicidade, semestral ou anualmente, solicitar certidões dos órgãos de registro que está vinculado (Ex. Estado/ICMS – Receita Federal – Prefeitura, etc...). Qualquer pendência que porventura houver, deverá ser verificada de imediato, o que não quer dizer necessariamente ser falha do escritório, porém, é importante verificar e corrigir o que porventura houver.

Conforme o acordado em contrato, manter reuniões periódicas com os profissionais da contabilidade para obter todas as informações necessárias relativas ao período de análise. Solicitar ao Escritório "Manual de Procedimentos e de Obrigações Fiscais" para, desta maneira, melhor acompanhar todas as obrigações, tanto da empresa quanto do escritório.

Quais os documentos / contratos / comprovantes que os escritórios de contabilidade devem entregar às pequenas empresas para que sejam arquivados?

Inicialmente, a empresa deve manter em seus arquivos todos os documentos da sua constituição, exemplos:
  • Registro de Firma Individual e/ou Contrato Social;
  • Registro junto a todas as Repartições Fiscais: Estado – Secretaria da Fazenda; Federal – Receita, CNPJ – Previdência; Prefeitura Municipal; Contribuição Sindical, Patronal e de Funcionários e, demais órgãos governamentais a que estiver vinculada.
Além dos documentos da sua constituição, as empresas deverão manter também em seus arquivos e, depois de efetuados os devidos lançamentos Fisco-Contábeis, todos os documentos inerentes à sua atividade tais como:
  • Notas fiscais de compras;
  • Talonários de vendas e/ou arquivos magnéticos se for o caso;
  • Despesas gerais (água, luz, telefone etc...);
  • Guias de Recolhimento de todos os tributos;
  • Extratos Bancários.
Reafirmando que, estes documentos devem retornar à empresa logo após sua utilização pelo escritório de contabilidade.

Quais os valores médios cobrados para a contabilidade de pequenas empresas?

Com relação a honorários profissionais os valores cobrados sofrem variação representativa, em virtude principalmente da própria estrutura operacional do escritório e dos serviços que serão demandados. Por exemplo, uma pequena empresa com ou sem funcionários; que exerça atividades de indústria, comércio e ou prestação de serviços ou ainda, de todas elas, e assim por diante.

Os preços médios de mercado, considerando Micro-Empresa (ME), Empresa de Pequeno Porte (EPP), enquadradas ou não no Regime do Simples Nacional, considerando ainda outras opções tributárias como Lucro Presumido e ou Lucro Real, os valores poderão oscilar entre R$ 600,00- (seiscentos reais) à R$ 1.800,00- (um mil e oitocentos reais), ou mais conforme dados descritos.

Se uma empresa está insatisfeita com seu escritório de contabilidade e deseja mudar de profissional, quais os cuidados deve tomar? O que é preciso para fazer a mudança?

Nesta condição, a empresa ao optar por um novo escritório deverá, inicialmente, verificar as Cláusulas de Rescisão existentes no contrato com o escritório atual e quais são as regras para esta efetivação. Normalmente é solicitada uma comunicação com prazo de 30 a 60 dias para conclusão. Imediatamente, comunicar por escrito e sob protocolo a decisão tomada pela empresa, comunicando qual será o novo escritório responsável pela continuidade da contabilidade da empresa.

Quando da conclusão, o conveniente é que, o novo escritório contratado cuide do recebimento/retirada de todo o documental da empresa em poder do escritório anterior e, na seqüência, este deverá efetuar uma verificação documental juntando também os documentos existentes na empresa e formalizar um "Levantamento de Verificação Documental" para constatar a possibilidade ou não de alguma pendência fiscal/documental.

Ao mesmo tempo, o novo escritório de contabilidade deverá proceder ao "Termo de Transferência de responsabilidade técnica", em atendimento à Resolução nº. 1040/2009 do CRC-SP, que deverá transitar entre o atual e anterior escritórios e empresa contratante. A conveniência de obter certidões das diversas repartições fiscais da empresa continua sendo plenamente válida, tanto para o empresário quanto para os escritórios de contabilidade.

A cobrança da '13°' mensalidade é uma prática de mercado? Todos os escritórios cobram esta mensalidade?

A prática da cobrança de uma mensalidade adicional, anual e também denominada de "Encerramento de Exercício", é uma realidade. Tal cobrança tem como principal fundamento, a própria sobrecarga operacional na elaboração dos trabalhos mensais do período podendo, em alguns casos, ficar também inclusa a elaboração da Declaração de Imposto de Renda da empresa. São diversas as formas e entendimentos da referida cobrança, porém é uma prática constante inclusive do Contrato de Prestação de Serviços Profissionais. Não é comum deixar de cobrar esta mensalidade, mas pode ocorrer.

domingo, 26 de setembro de 2010

Contabilidade do setor público

Com o advento das Normas Internacionais de Contabilidade, os candidatos eleitos terão de adotar postura semelhante à do meio empresarial com o denominado IFRS (International Financial Reporting Standard - Padrões de Relatórios Financeiros Internacionais). Este novo padrão de Contabilidade Pública, também conhecido por Ipsas (International Public Sector Accounting Standards - Norma Internacional de Contabilidade para o Setor Público), dará maior visibilidade à situação patrimonial da União, Estados e municípios, afinal o que é registrado por um valor reduzido, passará a ser contabilizado por um valor mais próximo da realidade. Além disso, os compromissos públicos terão que ser calculados e registrados no novo modelo de balanço, fato que poderá revelar qualquer indício de desmando do dinheiro público.

A Contabilidade Pública registra a previsão de receitas e a fixação de despesas, estabelecidas no Orçamento aprovado para cada exercício, controla as operações de crédito, a dívida ativa, os valores e as obrigações. Além disso, mostra o valor do patrimônio e revela as variações patrimoniais. É por meio da Contabilidade Pública que iremos interpretar informações acerca da evolução e da situação orçamentária, financeira e patrimonial do governo federal, dos estados e dos municípios.

A adoção das Normas Internacionais de Contabilidade será obrigatória, em 2012, para a União e Estados, e para os municípios, em 2013, porém é permitido legalmente que os Estados antecipem o processo, a partir deste ano. Acre, Recife, Pernambuco e Santa Catarina já estão avançando rumo à transição e pode ser que eles antecipem o processo já a partir 2011, o que é permitido legalmente a partir de 2010. Para aderir as novas normas, esses Estados aguardam que a STN (Secretaria do Tesouro Nacional) divulgue um plano de contas mais estabilizado para o setor público, o que está previsto para acontecer em outubro.

O objeto de qualquer Contabilidade é o patrimônio, seus fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo, quanto no qualitativo. Mas a Contabilidade Pública não está interessada apenas no patrimônio e suas variações, mas, também, no orçamento e sua execução, que é a previsão e arrecadação da receita, a fixação e a execução da despesa. O demonstrativo financeiro do setor público vai ficar muito parecido com o publicado pelas empresas nos jornais, com balanço patrimonial e demonstrações de resultado e de mutação do patrimônio líquido. As receitas e despesas, obrigatoriamente, serão lançadas pelo regime de competência, e não mais de um caixa.

Pelo atual modelo de caixa, o patrimônio governamental fica oculto e com o advento das Normas Internacionais para o setor público, esse cenário vai mudar: os ativos como edifícios, equipamentos, máquinas, terrenos, móveis e imóveis, além dos bens de uso público como praças eparques terão seu valor calculado e registrado no balanço governamental. Para a sociedade, o real valor desses bens representa obter registro confiável do patrimônio e para a tomada de decisões nas políticas públicas. Além disso, obterá uma visão mais real e abrangente dos custos no setor público.

Com a adoção dos Ipsas, os cálculos financeiros de uma entidade do setor público ficarão semelhantes aos demonstrativos publicados pelas empresas nos jornais, com evidência de resultado do exercício, balanço patrimonial e mutação do patrimônio líquido. Da mesma forma que na iniciativa privada, as despesas e receitas no setor público serão lançadas, obrigatoriamente, pelo regime de competência e não mais de caixa. No regime de competência, o registro do documento se dá na data do fato gerador, ou seja, na data do documento, não importando quando será feito o pagamento ou o recebimento. Já o regime de caixa considera o registro de documentos quando estes forem pagos, recebidos ou liquidados, como se fosse uma conta bancária. Para medir os resultados é recomendável que as companhias e entidades utilizem o regime de competência, que considera vendas efetuadas, despesas realizadas e depreciação dos bens, que parece não ser importante, mas é, já que no futuro esses bens precisarão ser repostos.

Fonte: CRC-SC


sábado, 25 de setembro de 2010

Cobrança ilegal pode excluir contadores do Simples

A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias e Informações e Pesquisas (Fenacon) está alertando os contadores paraibanos que optaram pelo Simples Nacional e que permanecem cobrando ilegalmente taxas e honorários pelo registro do Empreendedor Individual.

"As entidades de classe dos contadores tomarão medidas cabíveis para enviar as denúncias à Receita Federal com a finalidade de excluir o nome desses contadores do Simples Nacional. Além de desvio ético profissional, eles estão em desacordo com a legislação em vigor quando optaram pelo Simples", declarou o vice-presidente nacional da Fenacon, Edson Oliveira da Silva, que participou, em João Pessoa, de um debate sobre os três anos de entrada em vigor do Simples Nacional. O evento foi promovido pelo sistema Sescap/Sescon e Sebrae.

De acordo com a legislação, os escritórios de contabilidade que optaram pelo regime unificado do Simples Nacional são obrigados a registrar gratuitamente os empreendedores individuais no Portal do Empreendedor. O serviço de envio da primeira declaração anual dessas empresas também não poderá ser cobrado pelos contadores.

O Empreendedor Individual é aquele que trabalha por conta própria, sem sócios, com faturamento de até R$ 36 mil no ano e faz de sua profissão um micronegócio. A nova categoria é formalizada gratuitamente pela internet.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado (Sescon), José Roberto Cavalcanti, o registro do Empreendedor Individual na internet é bem simples e os contadores devem ser facilitadores desse serviço e entender essas formalizações como futuros clientes.

"Defendemos que a classe contábil perceba esses empreendedores individuais como clientes futuros e não de forma imediatista. Sabemos que o bom atendimento hoje e de forma gratuita vai garantir um diferencial para uma carteira de clientes mais ampla nos próximos anos, quando essas mesmas empresas começarem a crescer. A lógica é que esses proprietários procurem os escritóros que prestaram um serviço profissional com atenção e qualidade", revela José Roberto.

Para a Fenacon, a classe contábil tem papel fundamental na orientação dos novos empresários e empreendedores. "Além da forte adesão ao Simples Nacional com a Lei Geral da Micro e Pequena Empresas, vivemos atualmente um momento de forte crescimento econômico e a abertura de empresa tende a crescer no país nesse período, porém, é preciso que essa orientação seja esclarecedora e para os candidatos a empresário", revelou o vice-presidente nacional da entidade.

A gestora de políticas pública do Sebrae Paraíba, Bera Wilson, diz que o Sebrae vem recebendo denúncias de cobrança de registro do Empreendedor Individual, principalmente do interior do Estado, onde a fiscalização ainda é menos intensa. "É preciso que esses profissionais entendam que serviço gratuito e voluntário aos empreendedores individuais é uma contrapartida por optarem pelo Simples Nacional", revelou.

Contabilidade: mais do que formalismo fiscal

Em países desenvolvidos em relação ao Brasil, quando uma microempresa é formada, significa que profissionais de níveis superiores e técnicos bem formados estão se juntando para trabalhar, a interação dos talentos é a tônica. No Brasil, a prepotência e a falta de capacidade técnica em todos os níveis, são a tônica.

Somemos isso à falta de apoio por parte dos governos e parlamentos, acostumados e pressionados a promoverem isenções fiscais para grupos econômicos de maior vulto, que não primam necessariamente pela eficiência econômica e administrativa, em detrimento do apoio aos microempresários e à formação da mão-de-obra.

O resultado não poderia ser outro: não temos técnicos e acadêmicos nas quantidades necessárias ao nosso desenvolvimento, basta atentar para nossos índices de produtividade industrial ou de desempenho do comércio e serviços, lástimas. Pior, nosso ensino médio ao nível técnico está ou foi tornado sucateado,revigorado e maquiado por estatísticas e procedimentos obscuros à sua situação real, praticados por governos estaduais que deveriam suportá-lo.

A maior parte dos empresários no Brasil desconhece as funções que o contador (ou escritório contábil) pode desempenhar na empresa, desconhece até as mais elementares práticas de Administração de Empresas, e, poucos, poucos mesmo, trabalham utilizando procedimentos de Contabilidade Gerencial, a maioria pensa que Contabilidade não passa de formalismo legal, fiscal. Assim, antes de obsoleta, no Brasil, a profissão de contador (ou técncico) é desconhecida. Isso quando algumas empresas insistem na fusão contador-administrador. Não raro, o contador é forçado ou convenientemente convidado a exercer o papel de administrador de empresas.

Os contadores profissionais (e honestos intelectualmente) são os primeiros a dizerem que não estão preparados para administrar uma organização empresarial no seu conjunto como querem alguns empresários, que por questões orçamentárias e não por escolhas técnicas, lhes impingem a tarefa de administrar. Um bom contador sequer tem tempo disponível (pelas suas muitas atribuições) para administrar por completo uma empresa, como supõe parte do empresariado brasileiro. Afinal, via de regra, ele passa parte importante de seu tempo tentando (nem sempre com sucesso) fazer ver ao empresário, que caixa da empresa não é a mesma coisa que carteira do empresário.

As empresas no Brasil (exceções) utilizam a Contabilidade como formalidade fiscal, nada mais. A Contabilidade, como instrumento de gerenciamento e entendimento da mutação do patrimônio, ainda é um sonho de verão na mente de quem clama por profissionalismo nas empresas, que aliás, expurgaram os contadores de suas dependências. O mote de certas empresas operando no Brasil, parece ser o da música cantada por Zeca Pagodinho : [.. ]deixa a vida me levar, vida levaaaa eeeeu [...]

Autor: Carlos Cesar D'Arienzo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Reflexos da Lei 11.638

A crescente globalização dos mercados e o momento especial que passa a economia brasileira vêm despertando o interesse de uma quantidade expressiva de investidores internacionais, dispostos a aplicar recursos em empresas com potencial de expansão e perspectiva positiva de retorno financeiro.

O principal balizador para a atratividade dessas empresas deverá ser a governança corporativa. A prática, por um lado, dará a segurança necessária ao investidor e, por outro lado, valorizará as empresas que, se tornando mais transparentes aos olhos do mercado, reduzirão o seu custo de capital.

Neste cenário, a recente sanção presidencial da Lei 11.638 representa um passo fundamental para a convergência das práticas contábeis brasileiras ao padrão internacional de contabilidade – IFRS (International Financial Reporting Standards) –, que passa a exigir das sociedades de capital fechado com ativos acima de R$240 milhões ou receita bruta superior à R$300 milhões, a apresentação das demonstrações contábeis segundo padrões estabelecidos na Lei das S/A.

A princípio, aquilo que poderia representar um custo adicional para as empresas que se enquadrarem nesta lei, como contratação de auditoria independente, formalização de instrumentos de controle, divulgação etc, trata-se, na verdade, de um investimento, que em curto prazo poderá colocar estas organizações na mira do interesse de investidores e do mercado de capitais.

Sob a ótica do mercado, uma empresa torna-se atraente a partir do momento em que suas informações auditadas demonstram um histórico de crescimento e de lucratividade, capacidade competitiva, estratégia e controles bem definidos e equipe qualificada de gestores.

Para estar apta a participar deste momento especial da economia, a empresa precisará, além de sua adaptação à Lei 11.638, atentar para alguns aspectos de sua gestão, como adequação da estrutura societária e organizacional; otimização da estrutura de capital e da carga tributária; gestão profissionalizada; elaboração do planejamento corporativo; instituição de sistemas de informação automatizados e integrados; instituição de estrutura de governança corporativa; acompanhamento e avaliação de indicadores de gestão; e gestão de ativos intangíveis.

Dentre os benefícios que decorrem da adoção destas práticas pelas empresas, está o incremento do seu respectivo valor de mercado. Planejamento, organização, integração, controles, transparência e indicadores são os fatores que implicarão numa visão diferenciada do mercado associada à criação de valor.

A criação de valor tem como itens críticos de sucesso um conjunto de indicadores positivos, tanto econômico-financeiros, de posicionamento de mercado, quanto de boa gestão de ativos intangíveis, como imagem da marca e reputação.

É justamente na gestão dos ativos intangíveis que entram os fatores relacionados à sustentabilidade, que possui fundamentos em três dimensões: econômica, ambiental e social.

A congruência da criação de valor e sustentabilidade têm atraído as atenções do mercado de capitais no sentido de valorizar as empresas enquadradas nestes critérios. No Brasil, este movimento se fortalece agora, após o grande marco  que foi o lançamento do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

Assim, a partir do advento da nova Lei contábil como marco inicial de uma caminhada em busca das melhores práticas de gestão, a adoção de critérios de governança demonstra que uma administração competente aliada a uma política de transparência e de prestação de contas, pode gerar valor e se tornar um diferencial competitivo às empresas.


Autor: Edison Cunha

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CONSIDERAÇÕES SOBRE ÉTICA DOS CONTABILISTAS


   A Ética tem por base uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, “o agir” da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: “o que é” o homem e “para que vive”, logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69)
O comportamento ético deve prevalecer independente da conduta ser no campo pessoal, na família, ou em qualquer outra situação. No aspecto profissional não pode ser diferente. Nesta visão quando falamos de ética profissional, deve ser entendido de forma ampla, passando por todas as atividades de atuação, nas empresas, nas entidades sem fins lucrativos ou quaisquer outros organismos que envolvam o trabalho ou outras ocupações.

A conduta de minorias poderosas, na busca voraz de lucros e o excesso de egoísmo de poucos, sobretudo na concentração da renda, podem causar um mal de grandes proporções, atingindo muita gente, chegando até mesmo a interferir no destino dos povos. 

Embora o ser humano, como regra, tenha uma parcela de egoísmo na busca dos seus interesses, seja de forma individual ou coletiva, através de uma classe profissional ou de toda uma sociedade, entretan to, é preciso que sejam consideradas as normas de condutas, observados os princípios da virtude e da solidariedade. E o comportamento ético, sem dúvida, é o melhor caminho para se conseguir a justiça social e o benefício de todos. 

Nenhum trabalho pode ser visto somente sob o ângulo puramente financeiro ou como gerador de renda para quem o executa. Se um profissional desempenha sua atividade e o faz exclusivamente com o intuído de auferir renda para si, seu valor é considerado restrito e limitado, pois satisfaz somente ao individualismo de quem o realizou, limitando-se às questões puramente vinculadas a sobrevivência física. 

Diferente ocorre, quando o trabalho é realizado com dedicação e amor “ao fazer”, sem perder de vistas o alcance social, visando além do seu interesse pessoal, o benefício de terceiros.

Nestas condições, o profissional experimenta o sentimento prazeroso do dever cumprido, pois além do resultado positivo e do lucro, agrega à sua mente a paz de espírito, recebendo comoPrêmio maior o reconhecimento da sociedade.

O estudo da ética é hoje uma das preocupações mais presentes na sociedade, notadamente no segmento de prestação de serviços, que pela sua própria natureza, está vinculado diretamente às pessoas, mesmo porque, normalmente o prestador de Serviços não fornece a mercadoria ou o bem como produto final e sim vende seus atos e procedimentos praticados na prestação do serviço.

O Homem, no convívio com seus semelhantes, está sujeito a atitudes que dependendo das circunstâncias do tempo e do lugar, poderão ser consideradas moral ou imoral, sempre carregando um aspecto do bem ou do mal. Seus atos, ao serem avaliados pela Sociedade ou pelos seus colegas de profissão, certamente serão considerados éticos ou antiéticos.

Agir com ética é um dever elementar que jamais deverá ser esquecido, notadamente para os profissionais que militam na contabilidade, pois além do caráter moral, seus atos têm implicações direta sobre o patrimônio de terceiros.

A ética profissional deve ser sempre praticada pelo prestador de serviço, quando do desempenho das suas atividades, cujos atos poderão ser enquadrados no código de ética da respectiva profissão.

Em todas as atividades devem ser seguidas as normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Estas normas representam a formalização das ações reguladoras do comportamento ético, de modo que no desempenho das atividades por parte dos profissionais, sejam assegurados o cumprimento das obrigações e o respeito mútuo entre todos membros da corporação. Normalmente nas profissões legalmente regulamentadas, os padrões éticos são acompanhados através de normas de conduta, estatutos, códigos ou outras normas específicas.

No âmbito profissional, lamentavelmente, é comum a constatação da presença do individualismo das pessoas. Como regra nos parece até natural que o ser humano tenha a Tendência de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios. O que deve ser evitado é o excesso de individualismo que permeia a mente de muita gente.

O exercício profissional não pode deixar de contemplar o aspecto social, devendo observar e seu valor no campo ético, que normalmente varia em função da vinculação dos seus resultados na comunidade. 

O Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá (2004:116) ensina sobre a conduta do ser humano em sua comunidade e em sua classe que, cada conjunto de profissionais deve seguir uma ordem que permita a evolução harmônica do trabalho de todos, a partir da conduta de cada um, através de uma tutela no trabalho que conduza a regulação do individualismo perante o coletivo.

Assim como nas demais profissões, os contabilistas devem preservar o bom relacionamento com seus colegas de profissão, com seus clientes ou empregadores e com os demais que participam do processo de convivência profissional, buscando sempre sua evolução como cidadão e profissional de modo a alcançar não somente o seu bem-estar mas a construção de umaSociedade em que todos possam viver mais felizes.

Os contabilistas, como classe profissional, caracterizam-se pela natureza e homogeneidade do trabalho executado, pelo tipo e características do conhecimento, habilidades técnicas e habilitação legal exigidos para o seu exercício da atividade contábil. Portanto, os profissionais da contabilidade representam um grupo específico com especialização no conhecimento da sua área, sendo uma força viva na sociedade, vinculada a uma grande responsabilidade econômica e social, sobretudo na mensuração, controle e gestão do patrimônio das pessoas e entidades.

Autor: José Carlos Fortes

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Parabéns Contador!

Quando algo simples facilita a vida do cidadão


Desde muitos anos que se reclama da burocracia que impera no Brasil. Ela vem desde o Império e, é dito pelos historiadores, visava a dar emprego aos súditos da Coroa Portuguesa e, depois, aos brasileiros que viveram com Dom Pedro I e Dom Pedro II, que ficou 50 anos imperando no Brasil. Fez muito e foi um período de tranquilidade e de certa fartura, apesar da nódoa da escravidão. Tanto que o Brasil, naquele tempo, chegou a ter uma Economia mais forte que a dos Estados Unidos da América (EUA). Porém, seja qual for o motivo, a questão é que temos muita burocracia e instâncias e tudo é demorado. É repetitivo citar os exemplos de obras públicas que se arrastam por décadas por falta de dotações orçamentárias ou, o pior de tudo, pelas falcatruas que quase sempre cercam as realizações públicas. Dessa forma, são criados órgãos para fiscalizar e, mesmo assim, vigarices ocorrem. Aí alguém se lembra de criar mais uma repartição para fiscalizar a repartição que fiscaliza e vamos enrolando, atrasando, demorando nosInvestimentos públicos e privados.

Então, aplaude-se o fato de que o Simples Nacional superou a marca de quatro milhões de empresas, modelo que foi implantado em 1 de julho de 2006. No último dia 9 de agosto, o número desse sistema tributário alcançou 4.054.354 milhões de empresas. Elas são 2,7 milhões a mais do que as 1,3 milhão que estavam no extinto Simples Federal e que migraram, de maneira automática, para o novo modelo. O Simples foi instituído pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, a Lei Complementar 123/2006, com um regime simplificado e unificado de arrecadação de tributos dos micro e pequenos negócios. Ele substituiu o Simples Federal e os regimes estaduais e municipais, unificando a cobrança dos tributos. São seis taxas federais, ou seja, IPI, IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS patronal, mais o ICMS estadual e o ISS municipal. Todos pagos num único boleto e em uma só data. Assim, podem fazer Opção pelo Simples Nacional micro e pequenos negócios formais com receita bruta anual de até R$ 2,4 milhões da indústria, comércio e serviços, ficando de fora os profissionais liberais e o setor financeiro. Também são incluídos automaticamente no sistema os empreendedores individuais. 

Empreendedor Individual é o mecanismo jurídico que permite a formalização de trabalhadores autônomos como costureiras, manicures, pipoqueiros, chaveiros, borracheiros e vendedores ambulantes, entre outras atividades. Segundo os advogados tributaristas, em alguns casos o Simples Nacional proporciona uma redução tributária até de 70%. Para optar pelo Simples, o empreendedor avalia se é vantajoso que sua empresa recolha tributos por esse sistema. A Opção é feita em janeiro de cada ano. As novas empresas podem entrar logo que se formalizam. O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, afirma que a superação da marca de quatro milhões de empresas no Simples Nacional comprova o acerto em se promover a simplificação, a desoneração e a formalização das micro e pequenas empresas por meio da Lei Geral. É tudo o que se deseja, simplificar, facilitar, cobrar menos e evitar problemas para os órgãos públicos e os empresários. É simples, mas muitos demoram a entender. Da mesma forma que o Simples Nacional custou para ser implantado no Brasil.

Fonte: Jornal do Comércio - RS

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Papelada na mesa? Nunca mais

Exame de Suficiência chega para acabar com certos 
estigmas em relação ao profissional de contabilidade

     A aprovação da Lei 12.249/10, que reativa o Exame de Suficiência para contadores, chega para valorizar e devolver a autoestima aos profissionais da área, frequentemente estigmatizados como "guarda-livros" ou como "aqueles caras" que vivem com uma calculadora na mão e possuem um pequeno escritório, com uma mesa invariavelmente desorganizada, abarrotada de planilhas e guias de pagamento.
       Ainda hoje, parte do empresariado tem esta visão distorcida sobre os profissionais da contabilidade, o que também não deixa de ser culpa de muitos contadores, que insistem em manter um estilo antiquado, burocrático e pouco interessado por como seu negócio é visto pelo cliente.
       Estamos na era da geração Y e de novidades tecnológicas diárias, e não é diferente em relação ao sistema fiscal e tributário brasileiro. O projeto Sped e seus pilares, a certificação digital e outros tipos de obrigações fiscais que migraram para o ambiente online são os maiores exemplos de como as relações entre contribuintes e os Fiscos das três esferas entraram definitivamente no campo digital, abrindo espaço para o contador-consultor e encerrando a carreira de profissionais obsoletos.
      Parece muito? Pois não é! Além de conhecer cada uma das obrigações fiscais eletrônicas e suas penalidades, formas de entregas, implantações etc., o contador-consultor não pode deixar de acompanhar as mudanças tributárias diárias em cada uma das esferas e ainda providenciar escriturações fiscais e contábeis, sem esquecer-se de entregar guias e Darfs de impostos para que o contribuinte-cliente efetue os pagamentos em prazo hábil. Isso tudo sem falar na Norma Internacional de Contabilidade, que está sendo adotada e ainda gera muitas dúvidas.
      Em meio a tantas mudanças, cabe ao profissional de contabilidade a tarefa de mostrar que seu trabalho é cercado de muita inteligência profissional e que sua expertise é fundamental para que as companhias estejam sempre saudáveis dos pontos de vista fiscal e tributário.
      Se por um lado o Exame de Suficiência é importante para devolver a autoestima ao contador, por outro, pode-se concluir que a mera aprovação em exame não garante que este profissional contábil está apto a atuar em um cenário tão metamórfico. Discursos favoráveis ou contrários não representam a solução para qualquer problema, mas servem como um meio de direcionar as novas exigências em relação às Ciências Contábeis do novo século.

Autora: Priscila Lima

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Exame de Suficiência: saiba o que pretende o CFC

São muitas as dúvidas com relação ao Exame de Suficiência para o exercício da atividade contábil no Brasil, que será realizado em março de 2011. Veja a entrevista com Maria Clara Cavalcante Bugarim, vice-presidente de desenvolvido profissional e institucional do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Na entrevista, a vice-presidente fala da importância do exame, do método e conteúdo que serão exigidos, além de outras informações importantes para os que se submeterão ao Exame.

PCC: Qual a importância do Exame de Suficiência para a classe contábil?
Maria Clara Cavalcante Bugarim (MCCB): O Exame é de extrema importância, uma vez que a preocupação maior dos sistemas CFC e CRC's (Conselhos Regionais de Contabilidade) é com a qualidade do serviço profissional, visando acima de tudo proteger a Sociedade e para isso o Exame é um excelente instrumento.

PCC: Quem precisará se submeter ao Exame de Suficiência?
MCCB: Todos aqueles que querem exercer a profissão contábil e que, por algum motivo não se registraram nos CRC's até o dia 29 de outubro de 2010.

PCC: A senhora acredita que os profissionais submetidos ao Exame estão preparados?
MCCB: Os que forem aprovados mostrarão que estão aptos para o exercício profissional. É uma questão de educação continuada e, estar preparado para o exame é estudar diariamente.PCC: Na sua opinião, alguém pode ser prejudicado pelo Exame?
MCCB: Eu realmente acredito que não. Ninguém pode se sentir prejudicado por demonstrar que não está preparado para exercer sua profissão. De repente, alguém pode se sentir prejudicado pela instituição (de ensino superior) que o aprovou sem que esse alguém tivesse o conhecimento necessário.

PCC: Com a volta do Exame, como ficará a situação dos técnicos de contabilidade?
MCCB: Todos os técnicos que tenham concluído seus cursos até 2015, poderão obter o registro. Após esse prazo, profissionais de nível médio não poderão mais exercer a contabilidade.

PCC: Uma dúvida comum de estudantes e profissionais de contabilidade é quanto ao o modelo de prova que será adotado.
MCCB: Quanto a isso, nós indicamos que os candidatos acessem o site do Conselho Federal de Contabilidade e analisem os dez exames anteriores, pois seguiremos a mesma metodologia, já que ela foi muito bem aceita pela categoria.

PCC: Alguns professores e alunos de contabilidade revelaram ao Portal uma preocupação com o conteúdo da prova: a possível ênfase em assuntos pertinentes ao direito.MCCB: O conteúdo será atualizado e estará em consonância com a necessidade mínima para se exercer a profissão contábil no mercado de trabalho. Portanto, a ênfase do conteúdo é a contabilidade e não o direito ou qualquer outra área do conhecimento. Como eu falei anteriormente, as provas anteriores são um grande norte para quem pretende estudar.

Técnicos e bacharéis de contabilidade serão submetidos a mesma prova?
MCCB: As provas serão diferentes, com conteúdos programáticos diferentes respeitando as prerrogativas de cada área de atuação. Com relação ao bacharel, ele precisará demonstrar conhecimento mais amplo, uma vez que o técnico de contabilidade, por força legal, não pode exercer perícia contábil, Auditoria e análise de balanço, por exemplo.

PCC: E o Exame será realizado em quantas fases?
MCCB: Será realizado em uma única fase no mesmo dia em todos os estados da Federação.

PCC: Quanto a elaboração, aplicação, fiscalização e aplicação da prova, quem serão os responsáveis?
MCCB: No Conselho Federal foram criadas duas comissões. Uma comissão, que chamamos de comissão estratégica, vai supervisionar todo o exame. Eu coordeno essa comissão como vice-presidente de desenvolvimento profissional e institucional do CFC. A outra comissão, que operacionalizará o exame, vai realmente fazer a prova e, é submetida a nossa comissão. Qual é a ideia? Um grupo faz a prova e nós vamos analisar, referendar e aprovar todo o conteúdo. A partir daí a aplicação vai se dar por parte de todos os Conselhos Regionais de Contabilidade. A exemplo dos exames anteriores, os CRC's ficam responsáveis pela aplicação.

PCC: Então todo o processo do Exame de Suficiência estará sob a responsabilidade do CFC?
MCCB: Sim, a responsabilidade é totalmente do CFC. Porém, quanto a aplicação estamos considerando a possibilidade de contarmos com o apoio da Fundação Brasileira de Contabilidade em conjunto com os Conselhos Regionais. Lembrando que a elaboração da prova é de responsabilidade do CFC.

Caso a pessoa perca a data do exame, qual será o prazo para refazê-lo e quais os custos?
MCCB: O exame vai acontecer duas vezes no ano, no 1° e no 2° semestre. O primeiro exame será realizado em março de 2011. Então quem perder o primeiro poderá fazer no próximo, ou seja, no 2° semestre. Quanto aos custos, nós ainda não temos essa informação.

Em sua opinião, o Exame de Suficiência da classe contábil se equipara ao de outras classes, como o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo?
MCCB: Com certeza! Só há uma diferença. O nosso exame, desde a primeiro edição, é realizado sempre no mesmo dia e na mesma hora, cobrando sempre o mesmo conteúdo programático para todo o Brasil. Diferente da OAB que só adotou esse mecanismo recentemente. Infelizmente, assim como acontece com o exame da OAB, os resultados demonstraram que o problema não é com o exame, e sim com o ensino.

PCC: Diante dessa realidade de deficiência do ensino superior, o CFC tem algum projeto ouAção para minimizar tais deficiências?
MCCB: No final do ano de 2009, nós conseguimos uma vitória muito grande que foi a assinatura de um termo de cooperação mútua com o Ministério da Educação. Esse termo será colocado em prática a partir desse segundo semestre de 2010. O CFC terá condições de emitir um parecer subsidiando o MEC a respeito da qualidade de alguns cursos. Esse parecer será emitido quando uma faculdade abrir um curso de Ciências Contábeis ou precisar revalidá-lo. Lembrando que o CFC não tem força nem poder para interditar nenhum curso. Nosso parecer apoiará o MEC para que tome as devidas decisões.

PCC: A senhora tem mais alguma consideração importante a fazer?
MCCB: Só lembrando que o dia 29 de outubro é o prazo limite para quem já conclui seu curso e pretende exercer a profissão sem se submeter ao Exame de Suficiência. Após essa data, será suspensa a emissão do registro até que o profissional seja aprovado no exame.
 
Sobre a entrevistada:
No ano de 1996, a contadora alagoana Maria Clara Cavalcante Bugarim ingressou no Sistema CFC/CRCs, assumindo a vice-presidência do Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas (CRCAL). Aos 27 anos, assumiu a Diretoria de Contabilidade e Finanças do Instituto Alagoano de Previdência e Assistência Social (IPASEAL) e, em 1991, foi empossada no cargo de auditora-geral do Estado.

A contadora foi presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Alagoas de 1998 a 2001 e, após quatro anos de mandato, foi eleita conselheira suplente do Conselho Federal de Contabilidade (2002/2003). Tomou posse, em 2002, como presidente da Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC) e, em 2004, passou a conselheira efetiva do CFC.

Após 10 anos de atuação no Sistema CFC/CRCs, Maria Clara Cavalcante Bugarim chegou a Presidência do Conselho Federal para o biênio 2006/2007. Em janeiro de 2008, foi reeleita presidente do CFC, para o biênio 2008/2009.

Fonte: Classe Contábil

domingo, 19 de setembro de 2010

Contabilidade - Extinção de sociedades

Contabilmente, liquidar uma empresa significa realizar (transformar em dinheiro) o Ativo, saldar as obrigações com terceiros (Passivo) e restituir aos sócios a parte que cabe a cada um no Patrimônio Líquido remanescente.

É preciso que os sócios tenham informações adequadas sobre a situação patrimonial da empresa no momento em que decidirem dissolver a sociedade.

Para tanto, é necessária a elaboração de inventário e de um balanço de início de liquidação nos 15 dias imediatos à nomeação do liquidante.

No que diz respeito às sociedades anônimas, o liquidante deve elaborar de imediato o balanço patrimonial da companhia, em prazo não superior ao fixado pela assembleia-geral, no caso de a liquidação ser deliberada em assembleia, ou pelo juiz, servindo, tal balanço, de ponto de partida para a liquidação.


(Lei nº 6.404/1976, art. 210, III; Lei nº 10.406/2002, art. 1.103, III)

sábado, 18 de setembro de 2010

Contabilista - Manutenção de contrato de prestação de serviços contábeis é obrigatória

Para fins de comprovação dos limites e da extensão da responsabilidade técnica, assegurando, dessa forma, as partes quanto ao regular desempenho das obrigações assumidas, o contabilista ou a organização contábil deve manter contrato por escrito de prestação de serviços.





(Resolução CFC nº 987/2003, arts. 1º e 2º)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Considerações sobre ética dos Contabilistas

     A Ética tem por base uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, “o agir” da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: “o que é” o homem e “para que vive”, logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69) 
      O comportamento ético deve prevalecer independente da conduta ser no campo pessoal, na família, ou em qualquer outra situação. No aspecto profissional não pode ser diferente. Nesta visão quando falamos de ética profissional, deve ser entendido de forma ampla, passando por todas as atividades de atuação, nas empresas, nas entidades sem fins lucrativos ou quaisquer outros organismos que envolvam o trabalho ou outras ocupações.
     A conduta de minorias poderosas, na busca voraz de lucros e o excesso de egoísmo de poucos, sobretudo na concentração da renda, podem causar um mal de grandes proporções, atingindo muita gente, chegando até mesmo a interferir no destino dos povos. 
     Embora o ser humano, como regra, tenha uma parcela de egoísmo na busca dos seus interesses, seja de forma individual ou coletiva, através de uma classe profissional ou de toda uma sociedade, entretan to, é preciso que sejam consideradas as normas de condutas, observados os princípios da virtude e da solidariedade. E o comportamento ético, sem dúvida, é o melhor caminho para se conseguir a justiça social e o benefício de todos. 
     Nenhum trabalho pode ser visto somente sob o ângulo puramente financeiro ou como gerador de renda para quem o executa. Se um profissional desempenha sua atividade e o faz exclusivamente com o intuído de auferir renda para si, seu valor é considerado restrito e limitado, pois satisfaz somente ao individualismo de quem o realizou, limitando-se às questões puramente vinculadas a sobrevivência física. 
      Diferente ocorre, quando o trabalho é realizado com dedicação e amor “ao fazer”, sem perder de vistas o alcance social, visando além do seu interesse pessoal, o benefício de terceiros.
     Nestas condições, o profissional experimenta o sentimento prazeroso do dever cumprido, pois além do resultado positivo e do lucro, agrega à sua mente a paz de espírito, recebendo comoPrêmio maior o reconhecimento da sociedade.
      O estudo da ética é hoje uma das preocupações mais presentes na sociedade, notadamente no segmento de prestação de serviços, que pela sua própria natureza, está vinculado diretamente às pessoas, mesmo porque, normalmente o prestador de Serviços não fornece a mercadoria ou o bem como produto final e sim vende seus atos e procedimentos praticados na prestação do serviço.
     O Homem, no convívio com seus semelhantes, está sujeito a atitudes que dependendo das circunstâncias do tempo e do lugar, poderão ser consideradas moral ou imoral, sempre carregando um aspecto do bem ou do mal. Seus atos, ao serem avaliados pela Sociedade ou pelos seus colegas de profissão, certamente serão considerados éticos ou antiéticos.
     Agir com ética é um dever elementar que jamais deverá ser esquecido, notadamente para os profissionais que militam na contabilidade, pois além do caráter moral, seus atos têm implicações direta sobre o patrimônio de terceiros.
     A ética profissional deve ser sempre praticada pelo prestador de serviço, quando do desempenho das suas atividades, cujos atos poderão ser enquadrados no código de ética da respectiva profissão.
     Em todas as atividades devem ser seguidas as normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Estas normas representam a formalização das ações reguladoras do comportamento ético, de modo que no desempenho das atividades por parte dos profissionais, sejam assegurados o cumprimento das obrigações e o respeito mútuo entre todos membros da corporação.      Normalmente nas profissões legalmente regulamentadas, os padrões éticos são acompanhados através de normas de conduta, estatutos, códigos ou outras normas específicas.
     No âmbito profissional, lamentavelmente, é comum a constatação da presença do individualismo das pessoas. Como regra nos parece até natural que o ser humano tenha a Tendência de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios. O que deve ser evitado é o excesso de individualismo que permeia a mente de muita gente.
     O exercício profissional não pode deixar de contemplar o aspecto social, devendo observar e seu valor no campo ético, que normalmente varia em função da vinculação dos seus resultados na comunidade. 
     O Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá (2004:116) ensina sobre a conduta do ser humano em sua comunidade e em sua classe que, cada conjunto de profissionais deve seguir uma ordem que permita a evolução harmônica do trabalho de todos, a partir da conduta de cada um, através de uma tutela no trabalho que conduza a regulação do individualismo perante o coletivo.
     Assim como nas demais profissões, os contabilistas devem preservar o bom relacionamento com seus colegas de profissão, com seus clientes ou empregadores e com os demais que participam do processo de convivência profissional, buscando sempre sua evolução como cidadão e profissional de modo a alcançar não somente o seu bem-estar mas a construção de umaSociedade em que todos possam viver mais felizes.
     Os contabilistas, como classe profissional, caracterizam-se pela natureza e homogeneidade do trabalho executado, pelo tipo e características do conhecimento, habilidades técnicas e habilitação legal exigidos para o seu exercício da atividade contábil. Portanto, os profissionais da contabilidade representam um grupo específico com especialização no conhecimento da sua área, sendo uma força viva na sociedade, vinculada a uma grande responsabilidade econômica e social, sobretudo na mensuração, controle e gestão do patrimônio das pessoas e entidades.

Autor: José Carlos Fortes

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Contabilistas estão em alta

Pergunte a qualquer criança ou adolescente o que ele quer ser quando crescer. As respostas vão incluir categorias profissionais como médicos, advogados, engenheiros e jornalistas. Dificilmente, alguém dirá que pretende ser contabilista. Contudo, essa profissão até então pouco glamurizada pode ser uma escolha promissora, sobretudo para quem tem facilidade com números e gosta da área administrativa.

Mas, atenção. Antes de exercer a profissão, os futuros contabilistas deverão passar por um teste de eficiência e só os aprovados poderão dar entrada no registro no Conselho Regional de Contabilidade (CRC-PE). "Essa exigência passará a valer a partir do próximo mês de novembro", informa a coordenadora do curso de ciências contábeis da Faculdade Boa Viagem (FBV), Alcione Donida.

Para ela, a medida pretende garantir ainda mais qualidade ao mercado de trabalho, no qual o bom desempenho com cálculos agora apenas não basta. "O contabilista também deve ter um perfil gerenciadore proativo. Cada vez mais, o profissional de contabilidade auxilia na tomada de decisões de uma empresa", destaca a coordenadora.

Por falar em decisão, os contadores têm um amplo leque de opções para escolher. Eles podem atuar em empresas governamentais ou instituições privadas, nos setores financeiro, de comércio ou indústria e trabalhar com contabilidade financeira, auditoria, perícia, contabilidade de custos ou controladoria. A carreira de professor também é uma saída para quem tem interesse pela vida acadêmica.

De acordo com a coordenadora do curso de ciências contábeis da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Lúcia Fontes, a busca por um lugar ao sol ainda ganhou o reforço das organizações não-governamentais. "A área social é um campo maravilhoso. Hoje, há mais fiscalização do terceiro setor e uma necessidade de prestação de contas por parte das ONGs", informa.

Junto ao terceiro setor há ainda os grandes empreendimentos do Porto de Suape e diversas outras empresas com base ou em processo de instalação no complexo portuário.

Ensino - A julgar pela quantidade de cursos de ciências contábeis em Pernambuco, a profissão de contabilista está em alta. Diversas instituições de ensino superior oferecem o curso no estado. O mais tradicional é o da UFPE. Em 2009, a concorrência foi de seis alunos por vaga, superando os índices de 2007 (5,5) e 2008 (5,6). Na universidade, são 220 vagas por ano, divididas nos turnos da tarde e noite e em 1ª e 2ª entradas. Na Faculdades Unidas de Pernambuco (Faupe), são abertas 50 vagas por ano, enquanto que a Faculdade de Olinda (Focca) disponibiliza o dobro.

Ao longo do curso, os alunos têm contato com disciplinas como análise de demonstrações contábeis, computação aplicada à contabilidade, finanças e planejamento público, contabilidade societária, controladoria, custos, direito tributário, ética e normas da profissão contábil, matemática financeira, legislação social, Economia e gestão financeira.

A UFPE é onde estuda Rinaldo Holanda, 21 anos, aluno do 3º período. "O curso da Federal é muito bom, pois abrange todas as áreas profissionais que um contabilista pode atuar. Inclusive, já faço estágio na própria universidade.", diz.

O sentimento de realização com a escolha universitária é compartilhado por Patrícia França, 33 anos, aluna do 7º período da Faculdade Boa Viagem. Prestes a finalizar a graduação, ela possui também o curso técnico de contabilidade. "Passei em primeiro lugar na seleção de estágio do Ministério Público da União para o setor de perícia contábil, onde ajudo na análise de processos. Agora, o meu foco são os concursos", conta.

Qualificação deve ser constante

Trabalhar diariamente com números, fiscalizar a compra de produtos e gerenciar o desempenho econômico de uma empresa. Essa é a rotina da diretora de gestão da Jinx Playware, Verônica Vargas, 24 anos. Graduada em ciências contábeis pela UFPE, ela é um das 4.302 contabilistas de Pernambuco com registro no Conselho Regional de Contabilidade. O trabalho na produtora de jogos eletrônicos exige bastante no dia a dia. "Coordeno uma equipe e supervisiono a parte financeira, que envolve desde o setor de compras até o Balanço mensal. É um trabalho que requer atenção, mas que é prazeiroso", afirma.

Antes de ocupar o atual cargo, Verônica passou por outras experiências profissionais. A primeira delas foi na ACE., consultoria júnior da universidade. O estágio foi fundamental para a carreira. "Fiquei na empresa júnior por dois anos, onde pude aprender bastante", conta. Hoje, cursa um MBA em finanças. "Na especialização, tenho acesso a conteúdos sobre análise de riscos e estratégias, assuntos que não vi na graduação", revela.

A busca pela qualificação deve ser constante na vida de quem abraça a carreira de contabilista. Que o diga o contador Flávio Cesário, dono de um escritório de contabilidade. Com 15 anos de profissão e clientes fixos, ele não se acomodou e agregou uma especialização e um mestrado ao currículo. "De dois anos para cá muitas mudanças nas leis municipais, estaduais e federais vêm ocorrendo", aconselha.

Em seu dia a dia, Cesário comanda uma equipe de cinco profissionais, responsáveis por ações que vão desde a abertura e fechamento de empresas até o controle de folhas de pagamento. "Estar antenado às novas tecnologias é outra postura fundamental. A fiscalização eletrônica exige novos conhecimentos", cita.

Camila Holanda, 21 anos, 5º período da UFPE, diz que o aprendizado das novas regras se soma aos estudos para no ingressar no serviço público. "Meu objetivo é passar em um concurso e ser auditora", declara. Os planos são o de quem quer um futuro tranquilo. Na última seleção para auditor da Receita Federal, o salário inicial foi de R$ 13 mil.

Contudo, há quem renegue a carreira pública. É o caso de Ricardo Gonçalves, 28 anos, que preferiu a iniciativa privada. Natural de São Paulo, ele se candidatou a uma das vagas de trainee da Odebrecht. Passou, foi contratado e transferido para Pernambuco. Hoje, trabalha no Porto de Suape. "Não falta emprego. O curso é completo", opina.

Conhecimento das leis faz a diferença

Empenho é a palavra-chave de quem escolhe a área contábil como profissão. Na prática, essa dedicação ocorre na forma de muitas horas destinadas ao trabalho. "Diariamente, passo de 10 a 12 horas aqui no escritório", informa a contadora Maria José dos Santos.

A rotina, por vezes cansativa, é comum tanto para quem está em início de carreira quanto para aqueles que já estão consolidados no mercado. "Sou a dona da empresa, mas chego cedo. As tarefas exigem esse comprometimento", completa.

De acordo com Carlos Bianchi, sócio-gerente de um escritório de contabilidade, os meses iniciais do ano são os mais atarefados. "O primeiro semestre é bastante puxado, pois temos que dar conta de informações relativas a impostos de pessoas físicas e jurídicas e aos balanços das empresas. Além do mais, sempre trabalhamos com prazos", diz. É nesse período que também aparecem novos clientes, não raro cheios de questionamentos.

Segundo Maria José, o contabilista precisa ter um pouco de psicólogo também. "Devemos estar preparados paraouvir os clientes e tirar suas dúvidas. Muitos querem saber se enquadram-se em algum programa de benefício do governo, por exemplo", explica. A organização também é importante uma vez que as atividades envolvem planilhas, arquivos e inúmeros documentos. Entre eles, notas fiscais, escrituras, orçamentos e extratos bancários. "O trabalho requer atenção e formalidade nos contatos. Devemos deixar tudo registrado para evitar problemas", afirma Carlos Bianchi.

Um amplo leque para atuar

Graduado em ciências contábeis pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), o presidente do Sindicato dos Contabilistas de Pernambuco (Sindicon-PE), Paulo Alves de Souza Filho, é um entusiasta da profissão. Sócio do sindicato desde 1967, ele iniciou sua carreira no Departamento de Estradas e Rodagem de Pernambuco (DER-PE), onde atuou por oito anos. Também trabalhou na área educacional, gerindo as divisões financeira e contábil da Unicap e da Associação do Colégio Nóbrega. Com sua experiência, ele fala sobre as oportunidades de emprego para os contabilistas.

Em que funções os contabilistas podem trabalhar?

Há muitas áreas à disposição dos contabilistas. Os profissionais podem escolher entre as áreas fiscal, trabalhista e previdênciária, além de decidir se querem atuar em órgãos públicos ou privados.

As chances de colocação no mercado de trabalho são grandes?

Justamente por haver muitas áreas à disposição, há sempre empregos. Existe um campo aberto, sobretudo para quem é dedicado e competente. O curso de ciências contábeis pode não deixar a pessoa rica, mas oferece oportunidades de emprego constantes.

Qual o nível dos cursos de ciências contábeis em Pernambuco?

O nível do ensino de contabilidade é satisfatório. Os professores são competentes, experientes e vivem a realidade do mercado de trabalho. Quem quer estudar ciências contábeis tem diversas opções de faculdades para escolher.

Que conselho o senhor daria aos estudantes da área?

Estudem sempre. O sindicato oferece cursos e palestras periodicamente e é importante participar desses eventos. Os estudantes devem aliar a teoria vista em sala de aula com estágios para ampliar seus conhecimentos.

E a remuneração?

O salário base de um auxiliar de contabilidade é de R$ 1.200. Um profissional de outras áreas ganha mais, porém isso varia em relação ao cargo que ocupa e ao porte da empresa em que trabalha. Há empregos que pagam de R$ 3,5 mil a R$ 5 mil. No sindicato, temos uma tabela com o salário-base de cada função.

Mercado está mais exigente

O auditor Marcelo Galvão Guerra teve seu primeiro contato com o mundo da contabilidade ainda na adolescência, no Rio de Janeiro. O envolvimento com a profissão começou aos 19 anos quando ingressou como trainee na área financeira das Lojas Americanas. Na época, ele cursava administração de empresas. Após concluir o curso, ingressou como portador de diploma para garantir a graduação em ciências contábeis.

Das Lojas Americanas, o então universitário seguiu rumo à KPMG Auditores, instituição presente em cerca de 150 países e com 140 mil profissionais espalhados pelo mundo. "É uma das quatro maiores do mundo", afirma. Passou dez anos na empresa, atendendo clientes de grande porte na área contábil. "Foi um ótimo período. Tive a oportunidade de viajar o Brasil todo", diz.

Após sair da KPMG, Marcelo Guerra partiu para a Auditoria independente, trabalho que realiza até hoje. Nesta função, acumula mais de 17 anos de experiência. O conhecimento adquirido ao longo do tempo é colocado a serviço de empresas das mais diversas áreas. "Entre os clientes, a Netuno Alimentos, Excelsior Seguros e Queiroz Galvão", informa.

Além da consultoria, o auditor também se dedicou à docência. Com pós-graduação em gestão empresarial, não demorou para que logo começasse a dar aulas em cursos de extensão e MBAs nas áreas contábil e de Auditoria em instituições como a Fundação Getúlio Vargas, Universidade Gama Filho e Ibmec. A carreira acadêmica se tornou outra paixão e hoje ele concilia a atividade de consultor com o cargo de diretor-executivo da City Business School. A escola de negócios, aliás, abriga uma grande parcela de estudantes de contábeis em busca de especialização.

Na opinião de Marcelo, os contabilistas de hoje encontram um mercado amplo, porém bastante exigente. "Empresas não faltam, mas elas estão mais seletivas. Sempre digo aos recém-formados que é preciso estudar as novas práticas contábeis internacionais. O conhecimento desse novo marco regulatório é fundamental para o sucesso na profissão", aconselha.

Fonte: Diário de Pernambuco